31 de Março de 2009

Deep



Deep inside my mind

theres a hole with no end

Deep down

Deep,

deep down

searching for the roots

of a deadly tree




luiquifying me!


8 de Dezembro de 2008

I´ll be Home For X.Mas



E é assim desde que me tenho por gente... O presépio feito pelo meu avô, em cortiça formando uma verdadeira gruta e outrora decorado com musgo fresco, que íamos colher ao quintal. Os bonecos que remontam ás primeiras lembranças do meu pai, sempre acrescentados pelas diferentes gerações, fazendo uma panóplia de estilos completamente inesperados. A árvore, ás páginas tantas artificial por preocupações modernas, mas sempre bonita. E as decorações que nunca acabam, bolas da infância, de vidro pintado...
E, mais uma vez... ficou pronto!
Mágico como sempre...
Sorrimos sempre quando vemos esta sala...
Como se fosse a primeira vez!


All photos by BéDavid©













2 de Novembro de 2008

S.E.R.E.N.A.

Serenity by BeDavid

http://www.photoblog.com/bedavid/2008/11/03/



Serena-me pensar
Que no meio do bulício
Ainda consigo ouvir o silêncio
Das tuas palavras.

Serena-me pensar que o ontem
foi apenas o desejo
de um querer sempre mais hoje
e ainda mais e mais…
amanhã.

Serena-me ouvir-me chamar desde dentro
Ecoando por entre túneis de riso
Gargalhando por entre palácios de imagens
Que noite após noite,
construímos.

Serena-me sentir-te sereno
Assim como noite cálida em campo aberto
Entre árvores atentas e faunos escondidos
Que secretamente nos ouvem
Sorrindo com os nossos sorrisos
Batendo minúsculas palmas
Por nos sentirem completos.

Sereno-me apenas por te sentir
Assim,
marcado em mim.

Serenas-me tu só pelo respirar
Cadenciado
quando pouso no teu peito.

Serenas-me tu, com a serenidade do mar
Porque em ti repouso assim
E me deixo ficar.



9 de Agosto de 2008

Devolve.Me

photo by lampadamervelha

Descolei-me da pele
Senti-me fugir
Círculos negros planando em ideias desertas
Não estou aqui
Não sou
Vejo a tua mão na minha e tento voltar
Vontade de sentir
Peço ajuda, mas a voz é muda
Vagueio em direcção ao nada
Já aqui estive
Não gosto de aqui estar
Devolve-me por favor
Agarra-me por dentro
Encerra-me em ti
Quero sentir-me fechada
Protegida
Velada
Quero-te tanto cá dentro
Quero-me tanto em ti
Não sou nada quando me descolo de um corpo que já não é só meu
Sou apenas um ser desencaixado
Alma penada que já não existe
Segura-me e não te importes
Se o toque é gelado
Se não sentes o doce fluir das palavras
Se parece dura a pele de seda que amas
Ama-me apenas assim
Porque o deserto que fui
Já não chama por mim
Anseio voltar para dentro
Para este corpo que já não se esconde
Devolve-me
A ti
Devolve-me
A mim.
Apenas

devolve
Me.

20 de Julho de 2008

A.Consulta




O consultório era agradável! Tinha um aquário gigante, certamente no propósito de relaxar a tensão que se sentia no ambiente, principalmente entre as crianças como eu. A recepcionista de bata branca era tão impecável que parecia fazer parte da mobília, também ela de design 60´s, o que muito me intrigava e ao mesmo tempo fascinava. Era a antecâmara dos horrores em versão lounge.

Mais uma vez, entrei com ar desconfiado olhando para o médico que sempre cumprimentava a minha mãe com cordialidade familiar e a mim com um beijinho que eu dava não muito contente.

” Olha, abre lá a boca, Isabel!” “Ahhhhhhhhhh”, fazia eu tentando perceber o que tanto procurava ele, visto eu achar que não precisava minimamente daquilo. Como daquela vez em que só para não entrar sequer na sala do Nautilus, tinha abanado de tal forma o dente, que ele tinha saído, mesmo ali na rua, mostrando assim à minha mãe de forma triunfante que já não era preciso irmos lá dentro! Só que desta vez, não houve escapatória!

“ Mas afinal que comes tu rapariga?” “Petulante!” pensei eu e, mais uma vez, saiu a resposta sempre crua!


“Comida!!!”


Porque teria eu o condão de irritar sempre os adultos mais velhos, como era o caso, com as minhas respostas, ainda não percebi muito bem, talvez porque não era suposto uma menina ser assim!


“És uma menina mimada e obstinada!” vaticinou o Dr. Desport!


Ui, que agora é que elas me morderam! Mimada para mim era quase um elogio, embora não me sentisse tão mimada quanto o gostaria de ser, a palavra não me soava mal de todo! Agora obstinada! Pareceu-me algo terrível e com certeza tudo menos lisonjeiro! Mostrei a pior cara que soube fazer e pensei cá com os meus botões, quem se julgaria ele! Lá por ser um amigo da família e companheiro de andanças políticas locais do meu avô, não me conhecia de lado nenhum! E com aquele nome presunçoso estrangeirado! Ainda por cima, dentista! O pior monstro à face da terra! E, com estes pensamentos a encherem-me de fúria contida, lá continuou ele a mexer na minha boca como se fosse tudo terreno minado, chegando à parte em que, para desanuviar o ambiente, reaparando talvez na cara de incómodo da minha mãe, fingiu-se simpático, e disse:

“Agora Isabelinha, se doer apertas-me o braço, está bem?”

“Hmmm hmmm” concordei!

E foi assim, que apertei com tanta força o braço do senhor doutor, que as marcas devem ter demorado uns bons dias a desaparecer! Bem, ele tinha dito que se doesse, apertasse com força! Eu tinha testemunhas! Acredito que com a minha pouca força, não terá sido algo muito violento, mas pelo menos soube-me bem! Muito bem! Se doeu mesmo? Não sei….
Sinceramente, não me consigo lembrar!...





17/07/2008

5 de Julho de 2008

Expresso.Me


Expresso-me assim



Porque palavras não chegam.


Dissolvo-te na garganta quente de seiva


Porque assim me fizeste.



Quente te sinto,


Escorregar em doce fluir.


Devagar e doce


Negro e forte.


Assim és.



Queimas-me a alma que te engole


Num sofreguidão acesa de desejo.



Puro no querer.


No viver-te em inteira entrega.


Sublime e devoradora.



Gigante.


Assim te saboreio em doces tragos


De cores múltiplas.



Pintas-me a garganta que te sorve


Espelhas-me de luz a alma.


Enches-me até ao topo.



Trazes-me a espuma de marés negras


Veladas de lua de sabor nata.


Consolas-me.



Injectas-me as veias de sangue doce

e amargo.





Assim te bebo.






Assim me tomas…






Até ao fim!



03/06/2008

20 de Abril de 2008

Encontro.

photo by LampadaMervelha





Encontrei-O ali…







Sereno

Compreensivo

Reconfortante

Único.

Em todas as Suas formas…

Refúgio

Mão aberta

Palavra dura e suave de quem ama



Encontreio-O aqui…



Encontrei-O sim.














Em ti.

9 de Abril de 2008

a.Serpe

A Serpe ArtWork by Bé David



Aproximou-se em voo planado.Reconheceu a luz trémula.Hesitante. Sibilante. As asas cortando o céu escuro.Fixou os arcos, para não perder o rumo.Contou-os. Estavam lá todos.Tal como da última vez.

Baixou suavemente tremendo de emoção.O regresso é sempre novo.Como se fosse a primeira vez.O silêncio na noite chamava-lhe serpe.Reconhecia-lhe as formas.E ela respondia em veloz aterragem.Garras fixas no solo seco.A casa. Cheguei.

Olhou timidamente respirando o ar frio.Recolheu-se em forma de mulher.Serpente alada no regresso ao ninho.Tacteou-lhe a fronte.Reconheceu-lhe o cheiro.Mel das montanhas em suor de batalhas.Sentiu-se repousar.

Baixou todas as armas.Deixou para trás todas as guerras.Recolheu finalmente à sua gruta.Aguardavam-na as esperadas asas.Deixou lá fora a sua espada.Despiu a pesada armadura.Enfim, poderá descansar.Viver de novo.Chegou finalmente.

A casa.
Nunca lá tinha estado.

31 de Março de 2008

De TraPos



Cosida por entre linhas de veludo.
Estática. Imóvel.
Jaz entre sonhos esquecidos de menina.
Rosa crescente de tardes infinitas de sol.
Risos perdidos.
A um canto sentada. Sem vida. Suspensa num tempo que não é seu.
Outrora companheira de brincadeiras.
Personagem principal de histórias repetidas.
Sorriso largo. Bochechas pintadas. Redondas.
Onde estás agora? Quem te deixou?
Ao certo não sabe a ténue linha do esquecimento.
Momento fugido. Laço apertado, agora solto e desfeito.
Entendimento perfeito. Agora apenas difuso.
Confuso nas margens da memória.
Esquecida. Perdida. Alma sumida.
Apenas boneca. De trapos inventada.
Aguarda apenas o pó de magia que tarda em voltar.
Perlim-pim-pins gargalhados.
Risos ecoados. Alegrias de outrora...
Volta boneca à vida!
Preciso do teu sorriso em trapos de cor.

28 de Março de 2008

Te.SOU.ras

Scissors.Acrylic on canvas by Will Barras




Comecei por recortar encruzilhadas de vento.
Já não me lembro quando comecei.
Esqueci-me do tempo afiado das tesouras.
Eram fortes.
Aço formidável. Brilho cinza de vontade.
Cortavam todas as contrariedades.
A direito. Sem curvas gastas.
Seguiam um fio de sonho construído sobre tecidos coloridos.
Bonitos e fáceis.
Difíceis de ultrapassar. Ganhavam na conquista.
Cortei tanto.
A direito por tortas sendas. Contendas vastas.
Cortei um fio-de-prumo de vidas escolhidas.
Minhas.
Só minhas.
Afiadas por sedas. Rasgadas de ideias.
De repente mais duras que o próprio ódio das tesouras.
Os golpes já não se fundam.
Pousam-se as armas helénicas.
As sedas já não se ouvem.
Respira-se um vazio de ar oco.
Siroco de ideias pardas.
Espero.
Esperam-me as tesouras.
Um segundo de vazio eterno.
Entendo-me num buraco negro de continuação.
Descontinuado.
Suspenso.

Aguardo-me.

Intervalo-me.

Deixo de respirar…

15 de Março de 2008

ES.pelho

photo by LampadaMervelha . works by BéDavid


Detestava espelhos. Passava por eles a correr. Olhava só de relance. Como se algo a impedisse de ser ver totalmente. Via-se apenas assim. Como uma imagem tremida, voando. Não era por medo de se ver. Apenas não gostava de se observar. Mirar. Admirar. Não era ela. Não se sentia ela.
Havia tempo que tinha deixado absolutamente de se vestir frente ao espelho. Escolhia a roupa. Compunha-se. Passava de relance e tentava não voltar atrás. Via apenas os seus cabelos, a cor da sua sombra. O seu perfume no ar. E chegava. No entanto, adorava o seu sorriso. No espelho mais pequeno, aquele que apenas mostrava o que mais gostava. Olhava aquilo com que se sentia bem. A sua alva face. O seu sorriso que apenas esboçava de forma ténue perante os demais. Porém ali, sorria. Sorria para se olhar. Como se o seu todo estivesse somente ali. Naquele esgar. Naquela parte com que se identificava. Aquela que ninguém mais via. Aquela a que ninguém mais tinha acesso. Só essa a fazia parar. Voltar a ver-se. Rever-se. Ficar. E voltar a sorrir. Findo este exercício de auto determinação do esta sou eu, voltava à sua sombra sem reflexo.
Subiu ao sótão. Havia anos que não subia. Aquele sótão dos sonhos de pequena. Com caixas de recordações. Papéis sem importância. Lembranças empoeiradas. Bonecas. Roupas velhas. Livros antigos. Quadros sem cor. Porque ali veio, não soube. Um ímpeto. Uma ideia. Nostalgia. Não interessava. Saudades de um tempo sem dúvidas de si própria. Inocência infantil. Embora sempre se lembrasse de si assim. Grave. Circunspecta. Observando. Sentindo-se à parte. Sem gostar de espelhos. Só de sorrisos.
Remexeu nas caixas velhas. Descobriu brinquedos. Partidos. Outros não. Tão simples. Quão simples era uma brincadeira. Sozinha tantas vezes. Outras não. Levantou-se. Passou os dedos pelo piano fechado. Deixou uma linha no meio do pó. Sorriu. Ficou triste. Nunca mais tocou. Tudo ali fechado. Como tudo o resto, dentro de si mesma. Algo brilhou no escuro. Um reflexo. Talvez a fresta da janela deixasse passar uma luz e a determinado momento ela tivesse reflectido. Abriu as cortinas. As portadas da janela. Tanta luz. O quarto abriu-se como uma flor. Respirou o ar. Olhou o céu lá fora. Virou-se. De repente, no outro lado. Ela! Inteira. Com o sol por detrás, torneando-a, desenhando-a. Susteve a respiração. Sim, era ela. Num enorme espelho. Antigo. Belíssimo. Lembrava-se dele. Tinha pó. Num gesto inesperado, soprou, passou-lhe as mãos. Olhou-se. Sim. Era ela. Num espelho guardado. À sua espera. Continuava resplandecente. Mirou-se. Inclinou a cabeça. Sou eu. És tu. O espelho respondia. Ela concordou. Sorriu. Sou eu. Toda esta aqui, sou eu. Fechada. No meu sótão. A minha parte inteira. Afinal estava aqui. O meu todo. Conheces-me? Parecia perguntar com os olhos cúmplices ao espelho que a mirava. Sim. Eu sou tu. Sempre estive aqui. Pois. Deixei aqui a minha parte esquecida. Aquela que guardei. A que não via nunca. A que me faltava. Sorriu novamente. Peça a peça, despiu-se. Com uma alegria infantil. Como se fosse uma brincadeira de criança. Sorria. Ria. Gargalhava.
Ali. Nua. Com o sol brilhando por detrás de um corpo belo, afinal. Inteira. No seu espelho. No seu reflexo. Finalmente. Encontrando-se. Beijou o espelho e a ela mesma. Tocou o espelho tocando-se. Deitou-se sobre o tapete sem cor. Mirando-se naquele espelho. Sentindo-se feliz. Bela no seu corpo. Toda ela sorrindo, adormeceu.

7 de Março de 2008

|B|eijo

photo by LampadaMervelha


Corri.
Voei como o vento.
E lá estava ela…
A explodir em mim!
Sobressalto de emoções.
Imensa. Bela.
Soberba na sua plenitude de verde esperança.
Jorrando dádivas num sopro de mel.
Tão grande!
Tão pequena na sua métrica.
Jubilosa na sua força.
Linda!
Linda!
Como quantifica-la em tanto que representa?
No tão pouco que possui!?
Na sua autenticidade…
Na sua simplicidade de deusa!
Apenas e somente…
Pelo que é, na sua natureza…
Na sua beleza…
Naquilo que se tornou.
Transformou.
Criou.
Lá estava ela…
Sorrindo para mim, em laivos de amarelo sereno.
Num pleno amor de cumplicidade nata…
Florida.
Cúmplice de uma grandeza sem fim.

A tua.

A minha.

Obrigada!


6 de Março de 2008

Psiu!

Photo by Bé David

23 de Fevereiro de 2008

P | I | A N O



Sempre os trapos! Sempre os trapos!
Pois, eram mesmo. Sem dó nem piedade! Tiravam-me a atenção!
Piano, piano! Não é assim! Que disse eu no outro dia?
Pois disse, mas eu já me esqueci… Estaria a pensar noutra coisa

Sempre os trapos!
Seria… talvez não. Mas não prestei atenção. De certeza.
A sonata já me cansa. Gosto, mas cansa.
Voltámos ao início! Não te esqueças do Crescendo!
Pois. Não me esqueço. Já, pelo menos.
Daqui a pouco, talvez. Esta parte fascina-me. Pena não serem todas assim.

O trilo! O trilo!
Ai, o trilo! Nunca o faço bem. É tão difícil. Fico com os dedos presos.
Podemos parar? Só um bocado? Esta sonata é bonita, é poderosa, mas com tanta insistência, cansa-me.
Assim não!! Ainda quero ver a peça contemporânea!
Ui! Essa então… por mim está pronta. Mas a acompanhante deixa-me furiosa. Não sente isto como eu. Porque serei a única com a mania dos contemporâneos? Eu gosto! Não são certinhos!
Outra vez!!! Onde está essa entrada? És tu que começas… não te podes atrasar!
Pois não. Não posso! E não vou! Ou está tudo estragado!
Gosto destas variações e atonias! Sabem a liberdade…

1, 2, 3… não te atrases!..
Não. Está tudo certo! Certíssimo! Mas na hora, já sei…
Vou-me enganar!

Toc!..Toc!..Toc!..
Esta vareta nas teclas enerva-me, mas controla-me… Tem que ser!
Outra vez esse dedo por baixo? Onde estás tu?
Outra vez nos trapos!...

Se calhar… nos trapos da minha cabeça!...
Parte final. Mais atonias! Adoro os finales! Ficam no ar…
Já não se ouvem, mas sentem-se…
Pronto! Vê lá se estudas mais para a próxima!...
Sim. Eu penso sempre que sim. Mas não estudo nada.
Talvez o contemporâneo. Ajuda-me a descarregar. Pobre piano!

E vê lá…não penses só nos trapos!
Vou tentar…

Prometo que vou tentar!...





Em homenagem à D. Hélia Soveral, pela paciência e vã esperança em fazer de mim uma pianista.
22/02/08

19 de Fevereiro de 2008

Idea|ista

18 de Fevereiro de 2008

Astro.nauta




tanto

Universo


nesse teu sorriso,


que eu tudo deixaria


para


Nele


me perder…


17 de Fevereiro de 2008

Sinto.



Sinto-me…

Terra.

Arável. Sulcável. Estendida. Rendida. Rentável. Profunda. Fecunda. Quente. Nascente. Poente. Semente. De um ventre. Crescente.

De amor.




Sinto-me…

Lua.

Cheia. Completa. Desperta. Aberta. Nua. Crua. Brilhante. Possante. Vigilante.
Poderosa. Ansiosa. Sempre desejosa.

De ti.





Sinto-me…

Mulher.

Menina. Traquina. Alegre. Crescida. Com vida. Fecunda e Profunda. Teu ventre nascente. Tão nua. Tão crua. Tão somente.

Tua.






Sinto-me…


Bem.

14 de Fevereiro de 2008

És.



MANTO emplumado, recanto velado do meu jardim. Afagas-me, encobres-me, completas-me o ser. Envolves-me a alma, ensinas-me a calma, aumentas a força de um tanto querer…

ANJO caído em colo prostrado. Amado, esperado, vislumbre adiado. Dourado de sol, de espelhada face. Beleza em luz branca com cores impossíveis. Indizíveis, perfeitas.

RIO de sangue carmim violeta. Lava fundente, queimando-me a pele. Desejosa, ardente, sabendo-me a mel. Transbordas-me, desdobras-me, serei teu batel.

CONCHA encontrada em marés de sonho, tesouro perdido em Atlântida minha. Conquista, cruzada, vela ao vento emplumada. Assim te desejo, ardente o ensejo de ilha encantada.

ODE minha. Alva pauta por meus dedos riscada. Sonata de lua em estrelada noite. És vida em tom maior. És doce melodia. Enlevas-me a noite. Iluminas-me o dia.
(14/02/08)

11 de Fevereiro de 2008

|Último|Acto|


Silêncio.
A luz jorra por uma única fresta à espera de te iluminar pela última vez…
A surdina latente que se sente na plateia,
Prepara o caminho da tua entrada final.
Não triunfante… humilde apenas.
Com a serenidade de quem deixou o dever cumprido.
Como se já cá não estivesses… Como se apenas devesses a tantos uma despedida.

Finalmente.

Erguendo-se das cadeiras com ar velado,
Curvam-se à tua última passagem…
Não pelo teu pé…como sempre fizeste questão.
Agora caminham por ti,
Segurando-te com trémulas mãos, corroídas pela saudade que há-de ficar…

Maria…
Findo o teu acto.


Não se ouvem palmas...

Transformaram-se em flores…
Como tu, um dia…
Semente fecunda de vida, de tantas vidas…

Cai o pano.

É hora do Adeus…

Agora,
Tornas-te imortal…







In Memoriam de Maria F.
11/02/08

10 de Fevereiro de 2008

A.M.O.R.


Photo by LampadaMervelha


Mãos. Bocas. Sangue quente. De repente. Único. Entrar. Sair. De mim. De ti. De nós. Um fundo. Um mundo. Algures. Aqui. Ali. Onde quer que estejas. Me vejas. Sobejas. De mim. De ti. Quantos somos. Quantos fomos? Quantos vamos…ser enfim. De mim. Para ti. De ti. Para mim. Partilhar. Dar. Construir. Consumir. Criar. Ah…sim. Criar. Aumentar. O que somos…até ao infinito. Aqui. Acolá. Em todo o lado. Em todo o lado de mim. De ti. Somos tanto. Queremos tanto. Seremos tanto. Tanto, tanto. Coubera eu. Souberas tu. Quem seríamos. Onde estaríamos. Afinal. Aqui. Nós os dois. Dois em um.
Mãos minhas. Boca tua. Meu sangue no teu sangue. Quente, de repente. Únicos, entramos. Já não saímos. Tu de mim. Eu de ti. Nós de nós. Bem fundo no nosso mundo. Algures será aqui. Ou ali. Onde quer que estejamos. Que eu te veja. O que sobeja. De nós. Para nós. Somos tantos. Fomos tantos. Seremos tantos…enfim. Partilhamos. Damo-nos. Construímo-nos. Criamo-nos. Ah…sim, como nos criámos. Aumentamo-nos…até ao infinito. Aqui e em todo o lado. Em todos os nossos lados. Seremos nós o tanto que queremos. Coubera eu no tanto que tu és. Souberas tu o quanto que nós somos. O que somos e onde vamos. Afinal. Aqui. Nós. Já só um. Um de dois.


(30/01/08)

QuemMeDeraAmim


Photo by LampadaMervelha


Quem me dera a mim
Que um dia as estrelas
Por ti me tocassem
No céu do meu ser
No alto de tudo
Aquilo que sinto quanto me tocas tu
Por elas envolto
Tão doce
Tão belo
Tão bom

Quem me dera a mim
Que um dia elas e tu fossem eu
Que sempre brilhassem
Num cosmos sem fim
Como brilho eu
Quando me envolves em ti
E me abraças assim

Quem me dera a mim
Que fosse sempre ontem e hoje e quiçá
Os dias cessassem e fossem sempre noites
De estrelas brilhantes
De cosmos distantes
Em que bailaríamos
Sem tempo nem espaço
Num infinito abraço
De loucos amantes

Quem me dera a mim…

(10/09/07)

AMARras


São amarras que procuro
Nesta busca que me assola


São prisões que me inquietam
Porque acalmam
As tormentas
Violentas
Que sou eu!


No entanto, ai de ti que me prendas…
Que me entendas sem me ver
Sem perceber o porquê
De tanto amar
De tanto dar
E no entanto se me amarras…


Já parti!
Houvera eu de saber o porquê
Desta vida à deriva
Sem portos
Sem destino
Sem calma…


E no entanto é no mar das emoções que procuro
O porto seguro que me há-de prender…
Porque não é a mim que me prende
Mas tão-somente
A minh´alma…


E essa não tem destino…
Mas será por ela que me terás
Presa ao teu porto de abrigo
Que procuro e não encontro…


Não me prendas…


Não me largues..


Não me deixes…


Não me amarres..


Agarra-me!



Não me deixes partir de novo….


(27/11/07)

9 de Fevereiro de 2008

Soubera Eu

photo by BéDavid


Soubera eu, em que ponto do universo me encontrara

Para ser o que não fora…
Houvera eu de te ver, no fundo de mim mesma, entre as estrelas
Que sempre julguei perdidas, mas achara


Pudera eu saber onde estavas, sempre dentro de mim, mas não vira

Quisera eu te agarrar, mas fugira

Houvera eu de saber, mas
Não,
Porque não,
Porque não descobrira, quem eras


E tu ali…
Sereno,
Expectante,
Presente,
A olhar-me sem me ver…
A tocar-me sem me ter…
A existir no meu fundo,


No meu todo, que incessantemente procurei…
Sem encontrar…


E tu ali…
Sem me agarrar…deixando-me procurar… procurando tu também,
Por mim


Em todas as outras estrelas
Galáxias
Até aos confins do universo… do meu cosmos
Do teu
O nosso…


Afinal dentro de nós… tão perto
E tão distante


Apenas a estrela que brilha cá dentro…

Eras tu…

Eras tu!

(14/01/07)